Não - objeto e arte cinética

 Não objeto de Lygia Clark: Bichos

No contexto em que o "Bicho" foi criado, durante os anos 60, o Brasil vinha passando pela era do neoconcretismo, em que a arte envolvia a subjetividade, corpo e vivência. As influências de Lygia Clark pode ser encontrada nas ates cinéticas, teorias fenomenológicas (corpo é o centro da experiências do mundo) e artes participativas.

Já partindo diretamente para o próprio não- objeto, há aspectos interessantes quanto a sua composição. É graças à escolha do material, as chapas de aço, que permitem essa maleabilidade e multiplicidade de posições que “o bicho” é capaz de atingir. Isso porque, juntamente com as dobradiças, há uma flexibilidade que abre margem para execução de diversos movimentos.

Além disso, o metal na sua forma mais crua permite uma maior imersão, contato direto com o não- objeto, é como manusear o não- objeto na sua forma mais pura, decorrente também da revelação do material utilizado.

As arestas pontiagudas dão a liberdade para o não-objeto ser o que é, sem a necessidade de cumprir com pré-requisitos do indivíduo. Ele é o que é, independente de ser algo que possa incomodar o usuário. 

Por fim, com relação aos aspectos sensoriais, nota-se o sentido tátil como protagonista, da autenticidade, cada movimento altera a obra de forma única. Além disso, o material interage com a movimentação resistindo e cedendo, o que traz a ideia de um organismo- vivo. Por fim, a manipulação sem instruções torna cada interação é única e depende da escolha do espectador.

                       

Arte cinética de Julio Le Park:

Julio Le Park é um artista argentino muito importante na arte óptica e cinética. Realizava experiências inovadoras com luz, movimento e cor, buscando promover novas relações entre arte e sociedade a partir de uma perspectiva utópica. Ademais, foi co-fundador do Groupe de Recherche d'Art Visuel (grupo de artistas que se propunha a incentivar a interação do público com a obra, a fim de aprimorar suas capacidades de percepção e ação).

Em sua obra "Secuencias en rotación en blanco y negro", o fundo preto se destaca com os elementos brancos, criando um contraste marcante que contribui para a ideia de movimento. As linhas seguem certo padrão e sequência, mas apresentam pequenas variações em suas posições e ângulos, o que gera uma sensação de dinamismo — tanto ao guiar o olhar do espectador em uma direção circular quanto ao sugerir certa profundidade. No centro da composição, os traços parecem mais organizados, enquanto, à medida que se aproximam das bordas, tornam-se progressivamente mais desordenados. Essa transição reforça a ideia de expansão. Além disso, a percepção da obra pode variar conforme a distância do observador: aproximações e afastamentos revelam diferentes interpretações visuais da imagem.

                                      

 Já na obra "Alchimie 570", O fundo preto funciona como um espaço neutro, destacando as cores utilizadas na composição. O autor cria um gradiente que vai dos tons mais quentes aos mais frios, com transições suaves que evitam que o olhar trave em algum ponto específico, permitindo uma navegação contínua pela obra.


As linhas não são traçadas de forma tradicional; elas surgem a partir do alinhamento e da densidade dos pontos. O conjunto tem um formato geral que lembra uma meia-lua, estendendo-se para baixo em dois fluxos arredondados, criando um eixo de simetria.


Dentro dessa forma, as linhas curvas e convergentes estabelecem uma sensação de movimento e dão origem a pequenas formas geométricas, como losangos. O olhar do observador é naturalmente conduzido de cima para baixo, acompanhando um movimento que parece descer dos arcos.


Esse movimento é reforçado pelo ritmo visual criado pela variação na densidade dos pontos: nas áreas mais compactas, há uma impressão de maior velocidade e intensidade, enquanto as regiões mais espaçadas sugerem uma desaceleração. Além desse fluxo vertical, a composição também conduz o olhar do centro para as laterais, onde os pontos vão se dispersando gradualmente, reforçando a sensação de expansão e leveza.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não- objeto

Análise da colagem digital