Fotógrafos experimentais
Na apresentação dos fotógrafos experimentais, o grupo do qual fiz parte falou sobre quatro artistas: Albert Renger-patzsch, Otto Steinert, Sven Vogel e Marianne Brandt. Separadamente, uma obra de cada artista foi escolhida e analisada pelas alunas.
"Landschaft bei Essen und Zeche “Rosenblumendelle” (Paisagem perto de Essen com a mina de carvão Rosenblumendelle) - 1929 de Albert Renger-Patzsch. Composição de parte do movimento "Nova Objetividade", em que se buscava documentar fielmente as condições externas do mundo. O fotógrafo gostava de representar a relação entre a forte industrialização na Alemanha e a natureza.
O uso das sombras no primeiro plano da imagem contribui para a criação de um efeito de moldura natural, guiando o olhar para o centro da composição. A perspectiva linear trabalha em conjunto com as sombras para reforçar o ponto de fuga. A iluminação difusa e a possível presença de fumaça ou névoa no segundo plano criam uma sensação de distância e desconforto no observador.
A próxima fotografia analisada é uma obra de Otto Steinert, fotógrafo alemão. A escolha da imagem “Two trees in negative” de 1960 se deve ao interesse do grupo ao observar a dinamicidade envolvida nas relações de escala, que inclusive foi discutida anteriormente em sala de aula. Isso porque devido ao contraste utilizado, torna-se difícil distinguir se a fotografia foi tirada em escala microscópica ou macroscópica, uma vez que a gama de detalhes encontrados abre abertura para dúvida. Isso torna tudo mais interessante, pois permite que diversas interpretações surjam ao observar a imagem por ângulos e primas diferentes.
Dando uma breve contextualização, Otto Steinert viveu na Alemanha de 1915 a 1978. Em sua carreira, focou na fotografia subjetiva, e era uma característica dele o aumento do contraste ao extremo. De fato, é possível perceber o grande contraste dessa foto, até porque ele escolheu fotografar um cenário em que não tinha muitas nuances de cor: além da foto ser em preto e branco, são árvores escuras em um céu nublado branco, só que, como o nome diz, a foto esta em negativo, então o fundo fica preto e os objetos em branco. É interessante como a foto negativa dá mais destaque ao objeto claro, então fica mais perceptível os detalhes de cada galho, o que não recebe tanto destaque na foto positiva. Os detalhes também ficam mais evidentes por conta da forma como ele compôs a imagem, sem que os galhos de uma árvore se sobrepusessem à outra e de uma forma que preenche praticamente toda a área da foto.
Sobre a luz e sombra: por ser um ambiente nublado, a luz é difusa, então essa variação não é muito explorada na imagem. Os objetos se contrastam muito com uma única cor prevalente.
O próximo artista é Sven Vogel, fotógrafo alemão de 51 anos com vários tipos de trabalhos diferentes, mas o que mais nos chamou atenção foi a coleção Venedig 123. A foto que escolhemos é a Venedig 123 - Moscow, que é composta pela sobreposição de várias fotografias tiradas por ele em horários, ângulos e momentos diferentes durante uma viagem à Rússia feita em 2021. A obra se enquadra em diversos estilos, como o abstrato, o contemporâneo, o modernista e o expressionista. Por diversas fotos de um mesmo local terem sidos sobrepostas , fica claro que o objetivo do fotógrafo não é retratar de forma nítida o ponto turístico. Foi criado um certo efeito de movimento, rapidez, justamente pela presença de partes mais claras, escuras e mais e menos transparentes, passando a mensagem de aceleração da modernidade, correspondendo ao objetivo do artista.
Por último, Marianne Brandt, desenhista de metal, escultora, pintora e fotógrafa. Nascida em 1893 na Alemanha, ela começou sua educação em arte em 1911 e em 1924 foi aceita para estudar na Bauhaus. Foi uma pioneira em sua época, em um contexto em que a maioria das instituições de arte colocavam sérias restrições para a participação feminina. Brandt logrou êxito, no ateliê de metais, onde chegou por um período dirigir a oficina como mestre. Se destacou na produção de utensílios domésticos (formas esféricas) e luminárias de teto e de mesa (cilindros). Devido a sua importância na produção de objetos tivemos dificuldades para encontrar fotos que vão além de sua produção. Agora, falando especificamente sobre sua fotografia, é observado seu autorretrato dentro da fábrica de metal em Bauhaus. A imagem mostra várias esferas metálicas altamente polidas que refletem o ambiente ao redor. Nela, as esferas fazem referência aos metais que ela trabalhava. As três esferas refletem a mesma imagem, mas de ângulos diferentes (dá para ver pela posição das pernas da mulher). Pelo contexto da vida dela sabemos que essa foto foi tirada na fábrica, mas é difícil identificar os elementos ao redor da mulher. Cria um efeito de distorção semelhante ao das lentes grandes angulares, ou quando colocamos a câmera no 0,5x. Escolhemos essa fotografia porque nos chamou a atenção a forma como a fotógrafa usa reflexos e distorções para criar um efeito visual diferente.
Por fim, ao analisar os artistas como um todo, observa-se contraste em certas escolhas artísticas, seja em níveis de abstração, como também na técnica empregada. Entretanto, nota-se uma certa semelhança nos seus estilos, que ao mesmo tempo que os tornam únicos, os unem por meio de atributos em comum.




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